Por que o Instagram removeu a música do vídeo de Nikolas Ferreira?

No dia 20 de outubro de 2026, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou no Instagram o vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, com depoimentos de moradores de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. O vídeo ultrapassou 6,3 milhões de visualizações. Como trilha de fundo, usou uma versão instrumental de “Grão de Areia”, parceria de Rubel e Xande de Pilares — e foi justamente essa escolha que reacendeu o debate sobre direitos autorais músicas Instagram e os limites do uso de faixas protegidas na plataforma.

Pouco depois, o áudio da publicação foi removido. A Meta confirmou que retirou o som após uma reivindicação de direitos autorais sobre a música, mas não identificou quem fez a reclamação. Nikolas alegou que o próprio Rubel teria acionado a Sony para derrubar o áudio. Rubel e a gravadora, procurados pela imprensa, não se pronunciaram.

O episódio gerou polêmica, hashtags trending e acusações de censura. Mas a discussão que ficou de fora do debate público é justamente a mais importante para quem vive de conteúdo: se a música estava disponível no Instagram, por que não poderia ser usada livremente? Em entrevista ao portal Law Letter, o advogado Danilo Melo analisou o caso e foi categórico: “música disponível no Instagram não está liberada para campanha nem para publicidade”. A resposta envolve entender como funcionam os direitos autorais músicas Instagram — e por que acesso técnico não significa permissão jurídica.

A resposta está em uma diferença que muitos criadores de conteúdo desconhecem: disponibilizar uma música na plataforma não significa autorizar sua utilização para qualquer finalidade. As regras de direitos autorais músicas Instagram são definidas nos termos de licenciamento musical da Meta, e nem todo uso está coberto. E esse não é um fenômeno brasileiro. Em agosto de 2026, músicas de Taylor Swift foram removidas de vídeos do próprio presidente dos Estados Unidos em perfis oficiais da Casa Branca no TikTok, também após reivindicações de copyright.

Vamos entender como isso funciona.

Direitos autorais músicas Instagram: as faixas disponíveis são livres para uso?

Não. Quando se trata de direitos autorais músicas Instagram, é fundamental entender que a Meta celebra acordos de licenciamento com gravadoras e editoras musicais para que os usuários possam adicionar faixas do catálogo aos seus Reels, Stories e publicações. Mas esses acordos são limitados.

O que a licença musical do Instagram permite?

Em linhas gerais, o licenciamento que a Meta mantém com a indústria fonográfica autoriza o uso de músicas em publicações pessoais e não comerciais. Isso significa que:

  • Contas pessoais têm acesso ao catálogo completo para uso de expressão pessoal, sem finalidade comercial.
  • Contas de criador possuem acesso amplo (quase idêntico ao pessoal), desde que o conteúdo não seja patrocinado.
  • Contas comerciais (business) ficam restritas à Meta Sound Collection, uma biblioteca com cerca de 14.000 faixas liberadas para uso comercial, ou a músicas licenciadas de forma independente pela empresa.

Ponto fundamental sobre direitos autorais músicas Instagram: o acesso técnico à música dentro da plataforma não equivale a uma autorização jurídica do titular. A plataforma oferece a ferramenta; a responsabilidade pelo uso é de quem publica.

Quem pode solicitar a remoção de uma música?

A cadeia de titulares de uma obra musical envolve compositores, editoras musicais, intérpretes e produtores fonográficos (gravadoras). Cada um deles pode, de forma independente, acionar os mecanismos de reivindicação de direitos da plataforma.

A Meta opera o Rights Manager, um sistema automatizado que escaneia publicações e compara o áudio com arquivos de referência cadastrados pelos titulares. Quando há correspondência, o titular pode optar por monitorar o uso, monetizar a publicação ou bloquear o conteúdo.

No caso do vídeo de Nikolas, a remoção ocorreu por esse mecanismo: alguém com direitos sobre “Grão de Areia” acionou a reivindicação. A identidade do reclamante não foi divulgada pela Meta.

Quando o uso de uma música no Instagram pode infringir direitos autorais?

Nem todo uso é igual. Quando se trata de direitos autorais músicas Instagram, a finalidade da publicação é o fator determinante para saber se a licença convencional da plataforma abrange aquele conteúdo.

Tipo de utilizaçãoEnquadramento
Reel pessoal sem finalidade comercialEm regra, abrangido pela licença convencional
Conteúdo de influenciador com publicidadePode exigir licença comercial separada
Reel institucional de empresaDeve observar licenciamento comercial
Publicidade patrocinada ou impulsionadaExige autorização compatível com o anúncio
Vídeo com finalidade político-eleitoralPode exigir licença específica
Conteúdo de opinião política pessoalDepende do contexto e da licença aplicável
Propaganda oficial de governoExige autorização expressa do titular

Toda publicação política é considerada comercial?

Não necessariamente. A finalidade político-eleitoral não é, por definição, comercial. Mas pode ultrapassar os limites de uma licença destinada exclusivamente ao uso pessoal.

Aqui é onde mora o problema. Um deputado federal publicando um vídeo com depoimentos sobre políticas públicas, em pleno segundo turno eleitoral, não está fazendo uma publicação pessoal casual. O conteúdo tem finalidade de comunicação política. Essa finalidade pode não estar coberta pela licença que a Meta mantém com os titulares da música.

Não se trata de censura. Trata-se de um titular exercendo um direito que a legislação brasileira reconhece: o de autorizar ou não o uso de sua obra para determinadas finalidades.

A remoção do áudio foi censura ou exercício de direitos autorais?

Esse é o ponto central da análise.

Primeiro: a reivindicação autoral é um mecanismo legítimo e previsto nos termos de uso de qualquer plataforma digital. O titular de direitos pode solicitar a remoção quando entende que sua obra está sendo utilizada fora dos limites autorizados.

Segundo: a utilização em contexto político-eleitoral pode, de fato, não estar abrangida pela licença musical convencional do Instagram. As licenças que a Meta celebra com a indústria fonográfica são, em geral, limitadas ao uso pessoal e não comercial. Comunicação política, propaganda eleitoral e até mesmo conteúdo institucional de governos ficam fora desse escopo.

Terceiro: existe uma diferença importante entre uma reivindicação legítima e uma utilização abusiva dos mecanismos de remoção. Se um titular aciona o copyright para silenciar um adversário político, e não para proteger sua obra, isso pode configurar abuso de direito. Mas determinar isso exige acesso à licença aplicável, aos fundamentos da reivindicação e às circunstâncias do caso.

Sem esses elementos, afirmar categoricamente que houve censura ou que houve infração seria irresponsável.

O que a Lei de Direitos Autorais estabelece sobre músicas em vídeos?

A Lei nº 9.610/1998 é clara: a utilização de obras protegidas depende de autorização prévia e expressa do autor ou titular.

Artigo 29: a necessidade de autorização

O art. 29 da LDA estabelece que depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades, incluindo a reprodução, a distribuição, a comunicação ao público por meio digital e a inclusão em obra audiovisual (inciso VIII).

Colocar uma música como trilha de um vídeo, mesmo que seja apenas um trecho instrumental, configura sincronização audiovisual. E sincronização exige autorização.

Direitos autorais e direitos conexos

Quando falamos de uma música, existem pelo menos duas camadas de direitos envolvidos:

  • Direitos autorais sobre a composição musical (letra e melodia), que pertencem aos compositores e suas editoras.
  • Direitos conexos sobre a gravação (fonograma), que pertencem aos intérpretes e ao produtor fonográfico (gravadora).

No caso de “Grão de Areia”, Rubel e Xande de Pilares são coautores da composição. A gravação envolve o produtor fonográfico. Qualquer um desses titulares pode, isoladamente, reivindicar seus direitos.

Utilizar apenas alguns segundos evita infração?

Não. Essa é uma das crenças mais difundidas e mais equivocadas no universo dos criadores de conteúdo.

A Lei 9.610/1998 não reconhece nenhuma regra de 5, 10 ou 15 segundos. O art. 46, inciso VIII, permite a reprodução de “pequenos trechos” em determinadas condições, mas os requisitos são cumulativos: a reprodução não pode ser o objetivo principal da obra nova, não pode prejudicar a exploração normal da obra original e não pode causar prejuízo injustificado aos autores.

A análise é qualitativa, não quantitativa. Um refrão de 3 segundos, por ser a parte mais reconhecível da música, pode ter mais relevância jurídica do que 30 segundos de um trecho instrumental. O STJ ainda não consolidou jurisprudência específica sobre uso de músicas em Reels e Stories, mas o REsp 1.217.567/SP já estabeleceu que a indenização por uso indevido não pode ser inferior ao valor de uma autorização regular.

6 dicas para empresas e criadores evitarem problemas com direitos autorais

Prevenção é sempre mais barato que remediação. Para evitar problemas com direitos autorais músicas Instagram, aqui vão orientações práticas para quem publica conteúdo profissionalmente:

  1. Verifique a finalidade do conteúdo. Se o vídeo tem qualquer viés comercial, publicitário, institucional ou político, a licença convencional do Instagram provavelmente não cobre o uso.
  2. Use a Meta Sound Collection quando aplicável. As cerca de 14.000 faixas dessa biblioteca são liberadas para uso comercial dentro do Instagram e Facebook. Mas atenção: essa licença não se estende a outras plataformas como TikTok, YouTube ou LinkedIn.
  3. Contrate bibliotecas musicais com licenças comerciais. Serviços como Epidemic Sound, Artlist, Musicbed e Soundstripe oferecem catálogos licenciados para uso em conteúdo comercial e publicitário.
  4. Verifique se a autorização permite impulsionamento. Muitas licenças cobrem o conteúdo orgânico, mas não a distribuição paga. Se você pretende impulsionar o post, a licença precisa contemplar essa modalidade.
  5. Mantenha registros. Guarde as licenças contratadas, os comprovantes de pagamento e os termos de uso aplicáveis. Em caso de reivindicação, essa documentação é sua defesa.
  6. Revise contratos de branded content. Se você é influenciador e recebe uma marca para criar conteúdo, verifique de quem é a responsabilidade pela trilha sonora. Na maioria dos contratos, essa responsabilidade recai sobre o criador, não sobre o anunciante.

A música está no Instagram. Posso utilizá-la?

Depende.

A presença de uma música na biblioteca do Instagram não é um cheque em branco. As regras de direitos autorais músicas Instagram determinam que a regularidade do uso depende da finalidade do conteúdo, dos direitos envolvidos e dos limites do licenciamento.

O caso do vídeo de Nikolas Ferreira é apenas o exemplo mais recente de um fenômeno que afeta milhões de publicações todos os dias. Vídeos são silenciados, conteúdos são removidos e contas recebem strikes sem que os criadores entendam o porquê.

Para quem vive de conteúdo, entender as regras de direitos autorais músicas Instagram não é opcional. É a diferença entre ter um vídeo viral e ter um vídeo mudo.

Se você quer se aprofundar nos aspectos jurídicos da criação de conteúdo, confira também nosso artigo sobre direito autoral musical no Brasil e a importância de ter um advogado especializado em infoprodutores ao seu lado. Confira também a entrevista de Danilo Melo ao Law Letter sobre este caso.

Perguntas Frequentes

Posso usar qualquer música disponível no Instagram?

Não livremente. As músicas disponíveis no Instagram estão licenciadas para uso pessoal e não comercial. Se o conteúdo tem finalidade comercial, publicitária, institucional ou político-eleitoral, pode ser necessária uma licença adicional.

Empresas podem utilizar músicas famosas nos Reels?

Contas comerciais têm acesso restrito ao catálogo musical. A recomendação é utilizar a Meta Sound Collection ou contratar licenças comerciais diretamente com bibliotecas musicais especializadas.

Músicas do Instagram podem ser utilizadas em campanhas eleitorais?

A licença convencional do Instagram não contempla uso eleitoral. Campanhas que desejam utilizar músicas protegidas precisam obter autorização específica dos titulares de direitos.

Por que o Instagram remove o áudio de alguns vídeos?

Quando um titular de direitos autorais (compositor, editora, gravadora ou intérprete) identifica que sua obra está sendo usada fora dos limites da licença, ele pode acionar o mecanismo de reivindicação da plataforma. A Meta, ao receber a reivindicação, pode remover o áudio, bloquear o conteúdo ou direcioná-lo para monetização pelo titular.

Usar apenas 15 segundos de uma música viola direitos autorais?

Pode violar, sim. A lei brasileira não reconhece nenhuma regra automática de duração mínima. A análise considera a finalidade do uso, a relevância do trecho utilizado e o impacto sobre a exploração comercial da obra original.

O artista pode solicitar a remoção de sua música do Instagram?

Sim. Compositores, intérpretes e produtores fonográficos podem, a qualquer momento, reivindicar seus direitos sobre a obra e solicitar a remoção do áudio de publicações que considerem fora dos limites autorizados.