O registro de marca no mercado digital é uma daquelas decisões que você adia até ser tarde demais. Você investiu meses construindo sua marca. Criou identidade visual, gravou conteúdo, montou funil, fez lançamento, botou tráfego pago para rodar. E está tudo funcionando. Até que um dia chega uma notificação dizendo que você não pode mais usar o nome do seu próprio negócio.

Parece exagero? Não é. Isso acontece com empreendedores do mercado digital e do mercado tradicional todos os dias. E na maioria das vezes, o problema poderia ter sido resolvido com uma decisão que custa menos do que um mês de tráfego pago: o registro de marca no mercado digital, feito no INPI.

Neste artigo, vou te mostrar dois casos reais de empreendedores que quase perderam tudo por não terem feito o registro de marca no mercado digital no momento certo. Vou te explicar o que de fato protege a sua marca (spoiler: não é o CNPJ), quando registrar, o que registrar e por que isso impacta diretamente o valor do seu negócio.

O Caso Flávio Augusto: A Wise Up Quase Não Existiu

Se você acompanha o mercado de empreendedorismo, conhece o Flávio Augusto da Silva. Dono da Wise Up, do Orlando City, investidor, referência para uma geração inteira de empreendedores. Mas antes de tudo isso, ele era um cara endividado tentando abrir uma escola de inglês.

Em 1995, Flávio tinha pegado vinte mil reais do cheque especial, vendido um carro, se alavancado como podia. Estava a menos de duas semanas de abrir as portas da escola. O nome escolhido: Winners.

Flávio Augusto fundou a Wise Up e protegeu sua marca com registro de marca no mercado digital
Flávio Augusto transformou a Wise Up em referência global. O registro de marca foi peça-chave para proteger o negócio.

Material didático impresso. Comunicação pronta. Time contratado. Faltavam dias.

E então chegou uma notificação extrajudicial. Uma empresa com o mesmo nome já existia e já tinha a marca registrada no INPI. A exigência era clara: pare de usar esse nome imediatamente, ou enfrente um processo.

Flávio consultou um advogado. A marca pertencia a outra empresa. Ele precisava mudar tudo.

Imagina o cenário: todo o investimento em material, branding e comunicação prestes a ir para o lixo. Um prejuízo que poderia ter acabado com o negócio antes de ele existir de verdade.

Mas aí veio a sorte. Em todo o material, a logo era apenas uma letra “W”. Ele fez um concurso entre os funcionários para criar um novo nome que começasse com W. O nome escolhido foi Wise Up, que todos nós conhecemos hoje.

Ele escapou. Mas por muito pouco. Se a logo tivesse o nome completo “Winners” estampado em tudo, o prejuízo teria sido irreversível.

A marca Winners existia. Estava registrada. Flávio Augusto não sabia. Quase não existiu Wise Up.

O Caso Sodiê: Três Milhões de Reais e Quase Falência

A segunda história não teve tanta sorte.

A Cleusa Maria, fundadora da Sodiê Doces, começou como muitos empreendedores: fazendo bolos por encomenda, crescendo devagar, construindo tudo do zero. O nome original do negócio era Sensações Doces Sensações. Isso foi em 1997.

Sodiê Doces cresceu de uma loja para centenas de franquias graças ao registro de marca no mercado digital
A Sodiê Doces quase faliu por falta de registro de marca. Hoje é uma das maiores franquias de bolos do Brasil.

O negócio foi crescendo até virar uma rede de franquias com cinquenta lojas, faturando bem, com presença real no mercado.

Em algum momento lá atrás, alguém a convenceu a registrar a marca. Ela pagou pelo serviço e achou que estava tudo resolvido. O que ela não sabia é que o pedido de registro foi feito, mas indeferido. E ela nunca foi informada disso. Achava que estava protegida. Não estava.

Dez anos depois, em 2007, chegou a notificação. Não de qualquer empresa. Da Nestlé. A marca “Sensações” já estava registrada. Ela precisava parar de usar aquele nome imediatamente.

Com cinquenta franqueados, ela não podia transferir o custo para eles. Arcou sozinha com a mudança de toda a comunicação visual e identidade da marca. O custo, na época: três milhões de reais. Um valor que quase a quebrou.

O novo nome veio dos filhos que a ajudavam no negócio: Sofia e Diego. Sodiê. A marca que você conhece hoje nasceu de uma crise que quase destruiu tudo que ela havia construído.

Cinquenta lojas. Três milhões de reais. Quase falência. Tudo porque o registro de marca no mercado digital nunca foi concluído, e ela não sabia.

Esses Casos Não São Exceção

Eu poderia passar horas contando histórias parecidas. Mas vale mencionar dois casos mais recentes que mostram como a falta de registro de marca no mercado digital continua gerando problemas.

O caso do Flow Podcast: entre todas as questões que Monark e Igor Cavalari estão discutindo, uma delas envolve a marca. O registro foi feito em nome da pessoa física do Monark, não em nome da empresa. Em tese, isso significa que a marca pertence a ele individualmente, e não ao negócio. Isso virou mais uma frente de conflito em uma situação que já era complicada.

O caso Serena e Balea: está sendo discutido judicialmente no Tribunal de Justiça de São Paulo. O argumento é de aproveitamento parasitário. Não se trata de nomes idênticos, mas de características visuais muito semelhantes: a estrutura da embalagem, as cores, os elementos de identidade. Isso tem um nome no direito de marcas: trade dress. E ele também pode ser protegido e gerar conflito judicial quando violado.

Esses cenários acontecem todos os dias. Com empreendedores grandes, médios e pequenos. Com negócios do mercado tradicional e com negócios do mercado digital.

O Que Realmente Protege a Sua Marca (E o Que Não Protege)

Antes de mais nada, deixa eu desfazer uma confusão que vejo acontecer com muita frequência no mercado digital.

  • Ter CNPJ não protege sua marca.
  • Ter domínio registrado na internet não protege sua marca.
  • Ter perfil nas redes sociais com aquele nome não protege sua marca.

Todos esses elementos são importantes para a operação do negócio. Mas nenhum deles, isoladamente, garante que aquela marca é sua.

No contexto do registro de marca no mercado digital, o que protege a sua marca é o registro no INPI, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial. E existe uma regra no direito de marcas brasileiro que você precisa gravar: dono da marca não é quem criou primeiro. É quem registrou primeiro.

Isso significa que você pode usar uma marca há dez anos, ter construído toda a sua audiência em torno dela, ter investido milhares de reais em tráfego, ter toda a sua identidade visual consolidada. E outra empresa pode registrar essa marca antes de você e ter o direito de exigir que você pare de usá-la.

Para você ter uma ideia, desde setembro de 2025 o INPI unificou sua tabela de taxas. Hoje, o registro de marca com especificação pré-aprovada custa a partir de R$ 440 para MEIs e pequenas empresas (com desconto de 50%), ou R$ 880 sem desconto. E esse pagamento único já cobre a aprovação e os primeiros 10 anos de proteção.

Quando Registrar e o Que Registrar

Quando falamos de registro de marca no mercado digital, o momento ideal para registrar é antes de começar o negócio. Eu sei que na prática isso nem sempre é possível. Começar um negócio exige dinheiro, e o dinheiro tem destino carimbado quando você está no início. Mas assim que você tiver condição financeira para fazer isso, faça. Não deixe acumular.

E existe um ponto importante que muita gente ignora: o que você registra importa tanto quanto quando você registra.

Registrar só a logo pode não ser suficiente. Registrar só o nome pode deixar brechas. Você precisa pensar nos elementos que identificam o seu negócio: nome, logo, cores, elementos visuais específicos e, dependendo do caso, o trade dress do produto. A estratégia de proteção precisa cobrir o que de fato compõe a identidade da sua marca.

Além disso, existe a questão das classes de registro. O INPI organiza marcas por categorias de produto e serviço. Registrar em uma classe não significa estar protegido em todas. Se você é infoprodutor e vende cursos, apostilas, tem um podcast e presta consultoria, cada uma dessas frentes pode exigir proteção em classes diferentes. Deixar uma fora é criar uma brecha.

Marca Não É Só Para a Empresa

Outro ponto que o mercado digital ignora com frequência: não é só a marca da empresa que precisa ser protegida. Os produtos que você cria também podem ter marcas próprias registradas, e o registro de marca no mercado digital cobre essa necessidade.

Se você criou um método, um programa, um evento com nome específico, uma comunidade com identidade própria, e pretende usar esses nomes no futuro ou não quer que outra pessoa use, o registro vale para eles também.

E se você é influencer: o seu próprio nome, quando usado comercialmente, pode ser objeto de registro de marca. Isso pode impedir que terceiros usem aquele nome para explorar produtos ou serviços na mesma área de atuação. É uma proteção que muita gente na creator economy ainda não conhece. E não para por aí: além da marca, quem usa ferramentas de IA nas mentorias também precisa ficar atento à conformidade legal.

A Marca Como Ativo do Negócio

Tem um ponto final sobre registro de marca no mercado digital que muda a forma como você pensa sobre isso.

Marca registrada não é só proteção. É patrimônio. É ativo intangível do seu negócio. Uma empresa com marcas registradas, com produtos protegidos, com a identidade visual estruturada juridicamente, vale mais do que uma empresa que tem tudo isso só na prática, sem o registro.

Quando você vende um negócio, quando busca investimento, quando estrutura uma sociedade (e a contratação PJ no mercado digital exige cuidado redobrado), a marca registrada entra no valuation. Ela tem valor mensurável. Ignorar o registro não é só um risco. É deixar dinheiro na mesa.

Perguntas Frequentes

Ter CNPJ ou domínio registrado já protege minha marca?

Não. No registro de marca no mercado digital, CNPJ, domínio e perfis em redes sociais são importantes para a operação, mas nenhum deles garante propriedade sobre a marca. O que protege é o registro no INPI. No Brasil, a regra é clara: dono da marca é quem registrou primeiro, não quem usou primeiro.

Quanto custa registrar uma marca no INPI em 2026?

Desde setembro de 2025, o INPI unificou a tabela de taxas. O registro com especificação pré-aprovada custa a partir de R$ 440 para MEIs e pequenas empresas, ou R$ 880 sem desconto. Esse pagamento único já cobre a aprovação e os primeiros 10 anos de proteção. O investimento é menor do que um mês de tráfego pago na maioria dos negócios digitais.

Preciso registrar a marca de cada produto ou só a marca da empresa?

Depende da sua estratégia. Se você tem produtos com nomes específicos (um método, uma mentoria, uma comunidade, um evento), cada um pode ter seu próprio registro. Registrar apenas a marca da empresa deixa os nomes dos produtos desprotegidos, e terceiros podem registrá-los antes de você.

O que é trade dress e por que isso importa para meu negócio digital?

Trade dress é o conjunto de elementos visuais que identifica um produto ou serviço: cores, formatos, embalagens, layout visual. Ele pode ser protegido juridicamente, e sua violação gera conflito judicial, como no caso Serena e Balea em discussão no TJSP. Se o seu produto tem uma identidade visual marcante, vale a pena avaliar a proteção do trade dress.

Influencer pode registrar o próprio nome como marca?

Sim. Quando o nome é usado comercialmente para explorar produtos ou serviços, ele pode ser registrado como marca no INPI, sendo um passo essencial no registro de marca no mercado digital. Isso impede que terceiros usem seu nome para criar produtos ou serviços na mesma área de atuação sem sua autorização.


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Conclusão

A importância do registro de marca no mercado digital fica clara quando olhamos os fatos. O caso do Flávio Augusto teve sorte. O da Cleusa Maria, fundadora da Sodiê, quase não teve. O Flow Podcast está lidando com as consequências de uma marca registrada no nome errado. E o caso Serena e Balea mostra que até elementos visuais podem virar processo judicial.

O que todos esses casos têm em comum é simples: um problema de registro de marca no mercado digital que poderia ter sido evitado com uma decisão tomada no momento certo.

No registro de marca no mercado digital, se você tem um negócio no mercado digital e a sua marca ainda não está registrada, esse é o momento de resolver isso. Não depois que o negócio crescer mais. Não no próximo lançamento. Agora. Porque depois pode ser tarde demais.

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